Posted by : Jornalismo e Relações Públicas Uespi quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A Mesa Redonda sobre Torquato Neto, foi realizada na abertura da 2ª Semana de Audiovisual da UESPI 2014

Por Julimar Silva

Ao lado de Guga Carvalho, curador de uma exposição sobre o filme "Adão e Eva: do Paraiso ao Consumo" que fala sobre Torquato Neto e de Antônio Noronha, médico, professor e produtor cultural, grande amigo de infância de Torquato Neto; Renan Nunes, jornalista da TV Clube, se mostrou muito à vontade para falar sobre uma série de reportagens que ajudou a produzir sobre Torquato Neto, que foi ao ar entre os dias 03 e 08 de novembro de 2014, na TV Clube. Renan Nunes foi um dos convidados para a abertura da 2ª Semana de Audiovisual 2014 da UESPI (Universidade Estadual do Piauí), que está acontecendo no campus que leva o nome do poeta e letrista "Torquato Neto" no Pirajá Zona Norte de Teresina.

Renan Nunes, Guga Carvalho e Antônio Noronha na Mesa Redonda sobre Torquato Neto
A abertura do evento ocorreu na noite desta quarta feira no auditório do NEAD (Núcleo de Educação à Distância) e segue até a noite desta quinta feira (20). Renan Nunes ressalta que a série de reportagens foi resultado de um esforço conjunto de 13 pessoas, que foi produzido durante três meses. A série de reportagens que acabou resultando em um documentário intitulado: "Torquato Neto - O anjo torto". No final de sua exposição, o jornalista presenteou com uma cópia o Curso de Comunicação Social e Relações Públicas da UESPI.

O jornalista conta que a cronologia da vida de Torquato Neto foi traçada pela equipe de reportagem. O levantamento foi do nascimento, passando por quando aos 14 anos deixou o Piauí. A reportagem ouviu amigos de infância, pessoas que conviveram com o poeta, que mesmo antes de sair de Teresina, já começava a rabiscar as primeiras letras. De Teresina, a equipe da TV Clube foi para Salvador, primeira capital onde Torquato morou após sair de Teresina. Na Bahia, em Salvador, o contato mais próximo da reportagem foi com as pessoas do colégio onde o letrista estudou e morou, por que se tratava de um internato, que recebia pessoas de outros lugares. Nesta escola, Torquato escreveu alguns poemas.

"É o antigo Colégio Marista, onde Torquato viveu por dois anos. Em Salvador fomos mostrar a escola onde ele morou, o colégio é Nossa Senhora das Vitórias. Lá nos descobrimos pessoas que estudaram na época. Lá ele conheceu Gil, Caetano e outras pessoas ilustres da Bahia passaram por aquele colégio", ressalta Renan Nunes, jornalista.

Mas a vida de Torquato Neto aconteceria no Rio de Janeiro, conta Renan Nunes, pois era o lugar onde nos anos 60 se concentravam os principais artistas do país. Foi no Rio, que o poeta, estudou jornalismo e filosofia, mas não conseguiu nenhum dos cursos. Trabalhou em jornais e foi até setorista de um aeroporto.
"Nós encontramos pessoas que conviveram com ele, e diziam que pela habilidade que ele tinha de escrever, ele acabou se interessando pelo jornalismo. Lá no Rio ele encontrou os baianos e foi aí que começou a construção da Tropicália", conta Renan Nunes.

Quando a Tropicália ganha grande repercussão, os nomes de Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, José Carlos Capinã são propagados. Torquato escreveu peças de teatro, letras de música. A equipe de reportagem, teve segundo Renan, a missão de mostrar o desenrolar da Tropicália no Rio de Janeiro. Diz ainda, que Torquato passou um tempo em um local chamado: Solar da Fossa, local aonde intelectuais e os artistas moravam, e este foi um dos lugares em que a Tropicália acabou sendo iniciada.

Em 2014, se estivesse vivo, neste mês de novembro, Torquato completaria 70 anos. Renan Nunes lembra que para produzir a série de reportagens, teve que ler a biografia de Torquato Neto e ver filmes. Afirma que cada vez que se aproximava da obra do poeta, se apaixonava cada vez mais, de uma obra que ele define como densa, pois aparentava uma inquietude de uma pessoa que viveu numa época em que as manifestações de expressão eram muito mais contidas, em razão do regime militar.

Público no auditório do NEAD
"Boa parte do material que ele deixou tem esse tom de crítica social. É uma poesia muito ligada ao construtivismo, coisas que escrita a 40 anos, você ler hoje, parece a frente do tempo. E o que ficou para mim foi esse cara inquieto, atual, atemporal e que não se conformava com as amarras daquele tempo", ratifica.

O jornalista finaliza dizendo que os piauienses precisam conhecer a obra de Torquato Neto, pela produção literária e o legado deixado. Lembra que muitas pessoas estudaram academicamente Torquato Neto, documentários estão sendo produzidos para homenageá-lo, shows e concertos musicais e muitas outras formas de citar, uma pessoa que tentou fazer a diferença no seu tempo.

"Um artista com muitas facetas, que pensa à frente do seu tempo, e a nossa ideia foi mostrar para o Piauí, quem foi o Torquato Neto. Não foi só um cara que morreu aos 28 anos, foi um cara que deixou um legado cultural que merece ser reverberado e conhecido por muitas e muitas gerações. O Piauí merece conhecer e ter acesso à obra de Torquato Neto, que foi um dos piauienses ilustres", afirma Renan Nunes, jornalista.

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